A imortalidade de atitudes libertárias

Lembro-me bem de meados de 2006. Sim... 2006 foi um ano-marco nesta estória e na história. Não pensei que as coisas tomariam essas proporções. Não que eu fosse tão inocente a ponto de não perceber que tudo caminhava para um caos instaurado sobre o propósito da bondade, mas não achava que chegaria a tal ponto. Surpreendi-me com muitas coisas e comigo mesmo. Com a minha atividade e o modo pelo qual reagi. Quando adolescente, histórias de personagens que executavam grandes feitos, que exigiam sacrifícios, sempre me perturbavam, pois não entendia ao certo como alguém poderia acabar dando até a própria vida em troca de um ideal. Não entendia essa intensidade.
Hoje após tudo o que passei, entendo que quando você sente que algo mais essencial que a própria vida pode lhe ser tomado, e neste caso fazer tudo perder o sentido, você toma todas as medidas necessárias para que isso não ocorra. ‘Liberdade’, diria William Wallace sem temer a morte.
Quando começou a instaurar-se toda aquela bondade sob o símbolo do que é puro, todo aquele “faça o bem sem olhar a quem”, pareceu-me tudo muito correto, muito coeso. MUITO. Justamente essa doçura em exagero, azedou! O que pareceu bom, enjoou, virou fel e por um tempo me trancafiei em meus pensamentos duvidando das minhas convicções, por não crer em tanta bondade.
Busquei identificação e vi que não estava sozinho. Muitos temiam um possível Partido Único. Muitos enojavam-se mediante um simples citar do nome de Hector Gonzalez e suas sórdidas atitudes. Muitos sentiam o mesmo gosto azedo da falta de eloqüência e também não olhavam com bons olhos o Instituto Purifica, que angariou muitos, mas, por sorte, não o suficiente. Que este, eternamente inócuo seja.
A RTZ foi criada dentro de conceitos de liberdade e união, portanto juntos enfrentamos sem a menor procrastinação muitos infortúnios, mas nada do que eu ou meus hermanos nos arrependamos. Prefiro feridas a uma vida de cabresto. Creio falar por todos que se levantaram e lutaram uma guerra silenciosa sob o manto da informática, uma guerra onde não foram usadas armas de fogo ou chumbo, mas armas intelectual e/ou tecnológicas, ganhando esta à frente porque muitos não a conhecem e porque muitos acham que o virtual, sempre assim será. Restritos e enforcados são os pensamentos que privam seu progenitor de usufruir de idéias e atitudes libertárias. Saudável é a mente do bravo, que enfrenta sem temor suas afrontas.
Em meio á transição conturbada de informações e às sinapses, sob efeito de informações distorcidas, porém paradoxalmente direcionadas, bravamente tentamos interferir, buscando sempre atingir o findável processo de instalação do projeto pseudo-vanguardista de âmago sereno.
No meio de toda essa guerra, usei muito do que aprendi anteriormente. Tentei e usei inclusive coisas que achava sem fundamento ou mero acaso. Que sutil inocência! Todo conhecimento tem uma função, seja como for, sempre será útil em determinado momento, seja pra si mesmo ou para um terceiro. Nunca iremos fugir de nossas experiências.Aprendemos inclusive, em todos os HDs e nas descobertas e nas senhas, bem como com as pesquisas e buscas, uma cultura vasta que veio povoar lacunas cerebrais, dados importantes de que afloraram uma vontade ainda maior de um desenvolvimento intelectual cheio de esmero, não só em mim, mas em todos os guerreiros.
Li mais Shakespeare nessa batalha que tinha lido em toda minha vida! Localizamos o memorável Prestes, em um resgate que chegou a ser filmado, com auxílio das meninas RTZ conforme localização do prestex, um artefato capaz de peripécias mirabolantes. Libertas quae sera tamen!
Conhecemos novas tecnologias. Inovadoras e espetaculares linguagens de programação, locomoção temporal. A cada nova descoberta, ficávamos boquiabertos. Sem nunca perder a esperança. Sem ao menos cogitar a possibilidade de abandonar a causa.
Lutei, ganhei amigos, perdi amigos. Sinto ainda a dor de ferimentos não cicatrizados mas tenho outros já anestesiados, todos concebidos mediante um ambiente hostil e totalmente inóspito. Mas o tempo é mesmo um ótimo remédio, capaz de curar as feridas mais profundas da alma. Cabe a ele a digna obrigação de fechar essas fendas, sem sobrescrever as honras.
Minha memória é muito mais segura que um backup. Sou muito mais do que uma HD fragmentada, sou um instrumento muito mais preciso, porque a tecnologia não se faz sozinha.
2084 será um ano tecnológico sim, porém será o ano em que o homem terá a tecnologia como sua aliada e não como sua inimiga. Será um ano que, como 2006, entrará para a história. Eu fiz parte disso. Todos nós agentes da RTZ fizemos e nossos netos e bisnetos saberão.



3 Comments:
Ahhh lindo!
Já te disse que achei que ficou muito bom né?
Adorei de verdade!!!
E acho que a chance é grande!
Parabéns!
Te amo demais!
Beijo!
Minha... nossa... simplesmente a coisa mais bonita que eu já li... olha, parabéns é pouco... simplesmente fera. Continue assim!
Bravo! Não há mais que dizer! Que você escrevia bem, já suspeitava; ainda assim, surpreendi-me!
Menção honrosa: "Todo conhecimento tem uma função, seja como for, sempre será útil em determinado momento, seja pra si mesmo ou para um terceiro." Really impressive! Algo que tomei como verdade a vida toda, vindo de um hermano, soa mágico!
Parabéns! o/
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